Ransomware na América Latina: números, tendências e como se proteger

O ransomware não é uma ameaça nova. Mas o que está ocorrendo na América Latina em 2025 e 2026 não tem precedentes: um aumento de 259% nos ataques de ransomware na região, documentado pela SonicWall, com grupos criminosos cada vez mais sofisticados que combinam criptografia de dados com exfiltração e extorsão múltipla.

Este artigo analisa a situação atual do ransomware na América Latina, os setores mais afetados, as táticas utilizadas pelos invasores e as medidas concretas que as organizações devem implementar para se protegerem.

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Os números que definem o panorama

Os números contam uma história clara. O Intel 471 registrou um aumento de mais de 250 ataques documentados em 2024 para mais de 450 em 2025 na região. O número de variantes ativas de ransomware passou de 48 para 79, com grupos como Qilin, Akira e Inc entre os mais prejudiciais.

O Brasil concentra aproximadamente 30% das vítimas identificadas, seguido pelo México (14%) e pela Argentina (13%). Os setores mais atacados são os de bens de consumo e produtos industriais, energia e recursos naturais, e serviços profissionais. Em termos de impacto por setor, o varejo e a distribuição lideram, seguidos pela agricultura e alimentos, e pelos prestadores de serviços de saúde.

No que diz respeito às PMEs, o quadro é ainda mais preocupante: 82% dos ataques de ransomware afetam empresas com menos de 1.000 funcionários. Os invasores sabem que essas empresas têm menos defesas, menor capacidade de resposta e maior probabilidade de pagar o resgate.

A evolução: da criptografia simples à dupla e à tripla extorsão

O ransomware clássico criptografava os dados da vítima e exigia um pagamento para desbloqueá-los. As organizações que possuíam bons backups podiam restaurar seus sistemas sem pagar. Os invasores se adaptaram.

A dupla extorsão acrescenta uma segunda ameaça: antes de criptografar, os invasores extraem dados confidenciais e ameaçam divulgá-los caso o pagamento não seja feito. Isso elimina a proteção oferecida pelos backups: mesmo que você restaure seus sistemas, seus dados confidenciais permanecem nas mãos do invasor.

A extorsão tripla se intensifica ainda mais: os invasores entram em contato diretamente com clientes, parceiros ou funcionários cujos dados foram roubados, pressionando-os a exigir que a empresa vítima pague. Eles também podem lançar ataques DDoS contra a infraestrutura da vítima para aumentar a pressão.

Como o ransomware invade o sistema

Compreender os vetores de entrada é fundamental para a prevenção. Os três principais mecanismos são o phishing (e-mails com links ou anexos maliciosos que induzem o usuário a executar a carga maliciosa), a exploração de vulnerabilidades (sistemas sem patches que expõem pontos de entrada conhecidos) e credenciais comprometidas (senhas roubadas ou vazadas que permitem acesso direto a sistemas críticos).

Na América Latina, onde os sistemas legados são comuns, os ciclos de aplicação de patches são longos e a adoção da autenticação multifatorial (MFA) é baixa, esses três vetores estão amplamente disponíveis para os invasores.

Estratégia de defesa: as 5 camadas essenciais

Proteção de endpoint: EDR com recursos de análise comportamental e resposta automatizada em cada dispositivo. É a última linha de defesa caso o ransomware chegue ao computador.

Segurança de e-mail: Filtragem avançada com análise de IA que detecta e bloqueia tentativas de phishing antes que elas cheguem à caixa de entrada.

Gerenciamento de identidades e acesso: MFA resistente a phishing, políticas de acesso condicional e monitoramento de credenciais comprometidas.

Backups imutáveis: Cópias de segurança que não podem ser modificadas nem excluídas pelo ransomware, com testes periódicos de restauração.

Plano de resposta a incidentes: protocolos documentados, funções definidas e simulações regulares para que sua equipe saiba exatamente o que fazer quando ocorrer um incidente.

Conclusão

O ransomware na América Latina não está diminuindo — está se intensificando, se tornando mais sofisticado e se diversificando. As organizações que não implementarem defesas proativas hoje serão as vítimas de amanhã. A prevenção não elimina totalmente o risco, mas reduz drasticamente a probabilidade de um ataque bem-sucedido e, quando ele ocorre, minimiza o impacto.

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